Sobre determinação social e sobredeterminação social: o epílogo de um debate-embate?
Palavras-chave:
Determinantes sociais da saúde, Enquadramento interseccional, Fatores socioeconômicosResumo
Em recente publicação nos Cadernos de Saúde Pública (2021), Maria Cecília Minayo problematiza o conceito de determinação social na Saúde Coletiva. A autora sugere um descolamento entre a Epidemiologia e as Ciências Sociais, alegando que o termo carrega um viés determinista insuficiente para a complexidade do processo saúde-doença. Mediante revisão teórica e análise de discurso, este artigo contrapõe tais afirmações. Argumenta-se que a epidemiologia moderna já integra determinantes biológicos, socioeconômicos e políticos em sua base. Pautando-se na causalidade multinível, demonstra-se como a disciplina investiga a interação entre experiências biológicas e sociais nas ‘causas das causas’. O texto destaca a interseccionalidade, abordagem que examina como gênero, raça e classe são mutuamente constituídos e interconectados. Tais dimensões não operam de forma isolada ou somada, mas se entrelaçam em sistemas simultâneos de privilégio e opressão, explicando disparidades de saúde de forma mais convincente que interpretações demográficas tradicionais. Conclui-se que o enquadramento interseccional e a causalidade multinível constituem prova adicional da (sobre)determinação social.
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