Migração, vulnerabilidade e sífilis congênita na saúde maternoinfantil: um estudo transversal no Brasil

Autores

  • Priscila Campos de Matos Lacerda Universidade Federal de Roraima (UFRR) – Boa Vista (RR), Brasil. Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Instituto Oswaldo Cruz (IOC) – Rio de Janeiro (RJ), Brasil. https://orcid.org/0009-0009-0158-657X
  • Marco Aurélio Pereira Horta Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Instituto Oswaldo Cruz (IOC) – Rio de Janeiro (RJ), Brasil.

Palavras-chave:

Sífilis congênita, Migração humana, Cuidado pré-natal, Acessibilidade aos serviços de saúde, Emigrantes e imigrantes

Resumo

Objetivou-se avaliar como desigualdades sociodemográficas e assistenciais impactam a condução da sífilis congênita em maternidade pública de fronteira no extremo Norte do Brasil, considerando a migração venezuelana. Estudo observacional, transversal e analítico com 235 fichas de notificação extraídas do banco de dados da maternidade pública de referência de Roraima, entre janeiro e dezembro de 2023. Compararam-se gestantes brasileiras e migrantes venezuelanas quanto a variáveis sociodemográficas, clínicas e de atenção, aplicando testes estatísticos (qui-quadrado ou exato de Fisher para proporções; Mann-Whitney para variáveis contínuas sem normalidade). Das fichas, 39,1% referiam-se a migrantes, que apresentaram menor escolaridade e inserção ocupacional. A cobertura de pré-natal e triagem foi inferior entre migrantes: realização de VDRL no pré-natal 37,0% vs 58,0% (p=0,002) e testes treponêmicos 65,2% vs 79,7% (p=0,02), considerando venezuelanas e brasileiras, respectivamente; o diagnóstico tardio foi mais frequente entre migrantes (42,4% vs 27,3%; p=0,02). O tratamento adequado foi baixo em ambos os grupos (10,9% vs 14%; p=0,49). Na avaliação neonatal, observaram-se lacunas de seguimento clínico e terapêutico, independentemente da nacionalidade materna. Conclui-se que a condição migratória agrava iniquidades e barreiras de acesso, exigindo ações intersetoriais que ampliem o pré-natal oportuno, fortaleçam a vigilância e promovam cuidado culturalmente sensível em regiões de fronteira.

Publicado

2026-07-15

Como Citar

1.
Lacerda PC de M, Horta MAP. Migração, vulnerabilidade e sífilis congênita na saúde maternoinfantil: um estudo transversal no Brasil. Saúde Debate [Internet]. 15º de julho de 2026 [citado 12º de agosto de 2026];50(150 jul-set). Disponível em: https://www.saudeemdebate.org.br/sed/article/view/11141

Edição

Seção

Artigo Original

Declaração de dados

  • Os dados de pesquisa não podem ser disponibilizados publicamente

    • O estudo utilizou fichas de notificação compulsória de sífilis congênita, que contêm informações sensíveis e sigilosas, não passíveis de divulgação pública por razões éticas e legais.