‘Deixa para lá’: itinerário terapêutico e acesso à saúde em comunidades rurais do Cerrado goiano
Palavras-chave:
Acesso efetivo aos serviços de saúde, Saúde da população rural, Itinerário terapêutico, QuilombolasResumo
Os itinerários terapêuticos são adaptados ao contexto sociocultural, revelando-se modos de cuidado com o corpo. Nesse sentido, objetivou-se descrever os itinerários terapêuticos de pessoas que vivem em dois assentamentos rurais e em uma comunidade quilombola do Cerrado goiano. Os dados foram obtidos a partir da representação dos atores sociais sobre o processo saúde-doença, utilizando abordagem qualitativa com observação participante, entrevistas semiestruturadas e diário de campo. Os itinerários terapêuticos de moradores de ambientes rurais do Cerrado possuem trajetória sócio-histórica, percorrendo trajetos tortuosos. Exigem experiências de busca por saúde, desvendando os caminhos possíveis. Desse modo, têm-se os acessos à saúde, conhecimentos e aceitações sobre: a) trajetos rurais percorridos por seus moradores, seja na vegetação de árvores tortuosas do Cerrado goiano, seja nos caminhos sinuosos, com estradas intrafegáveis ou inexistentes; b) sofrimentos, aflições e agravos do corpo e da sua saúde, divergentes entre conhecimentos populares e os considerados científicos; c) produtos utilizados e do ambiente onde são buscados. As experiências de moradores rurais revelaram os modos de sobrevivência ou de cuidado com o corpo e com a biodiversidade do Cerrado, demonstrando as dificuldades, os perigos e males, incluindo os de injustiça social e os de um suposto progresso urbano.
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